Comunicação Interna ganha relevância
[Por Roseli Loturco via Valor Econômico]
Usar todos os canais disponíveis para se comunicar com o colaborador e definir a comunicação como estratégica para a empresa. É assim que o Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo do país, trata o tema. Há 58 anos, Luiza Trajano Donato e Pelegrino José Donato descobriram, ao abrir a primeira loja em Franca, no interior de São Paulo, que o segredo do sucesso de qualquer negócio é nunca descuidar da comunicação interna, porque é por meio dela que se disseminam valores e metas.
O resultado se traduz em 756 lojas em 16 Estados e faturamento de R$ 11,5 bilhões em 2014, crescimento de 18,7% em relação a 2013 e mais do que o dobro de 2010. “Pode parecer clichê, mas no Magazine Luiza as pessoas estão em primeiro lugar. Temos 24 mil colaboradores e a comunicação organizacional é bem forte, afirma Marcelo Silva, diretor-superintendente da rede.
A postura do executivo reflete diretamente a visão de praticidade de sua principal gestora. Na última mensagem da presidente da rede aos acionistas, Luiza Helena Trajano fez questão de enfatizar que “a comunicação é feita sempre de forma transparente e direta, no melhor estilo olho no olho”.
O desafio para a empresa é crescer sem que cultura e valores se percam. “Nossa próxima meta é nos tornarmos uma empresa digital”, diz Silva. A rede trabalha em quatro pilares: crescimento, inovação, rentabilidade e pessoas. E a comunicação permeia todos eles, pois Silva acredita que 90% dos problemas de uma empresa são decorrentes da má comunicação com seus profissionais.
Um exemplo prático foi a ação desenvolvida no último assalto sofrido no Centro de Distribuição do Magazine Luiza, quando levaram todos os seus smartphones. “Montamos um comitê de soluções com toda a diretoria e decidimos que os primeiros a ser comunicados seriam os nossos 24 mil funcionários. Depois os jornais. Eles se sentiram valorizados e começaram a produzir e render muito mais.”
Os meios que a companhia usa nesse processo são variados e contemplam 11 diferentes canais. A TV Luiza é um deles e por onde, uma vez por semana, a presidente fala com o público interno. Mas tem também rádio, portal, grupos no Google, jornais, reuniões matinais, rito de comunhão, marketing multicanal, mídias sócias, seminários e Disque Presidência, onde qualquer um, se julgar necessário, pode ligar direto à Luiza Helena. “E ela atende”, diz.
Especialistas defendem que exemplos como o do Magazine Luiza devem ser perseguidos por outras empresas de varejo. E não importa o tamanho. Cada qual deve usar os recursos disponíveis. “Para quem não tem ainda a área de comunicação implantada, pode começar pelo RH. Isso porque a comunicação deve sempre estar integrada ao RH da empresa”, indica Viviani Mansi, professora da Faculdade Cásper Líbero, ex- gerente sênior de comunicação da General Electric e autora do livro ‘Comunicação com Empregados: Comunicação Interna Sem Fronteiras’.
Viviani defende que as empresas cuidem no dia a dia da comunicação entre gestor e sua equipe e não deixe este encargo só para a área. “Se eu e meu chefe não estamos alinhados, não tem comunicação interna que resolva sozinha”, considera.
Para a diretora da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Abrapcorp), Ágatha Camargo Paraventi, hoje as áreas de comunicação vivem desafios muito diferentes do passado e devem atentar às novas demandas de informação. Mensagens como produtividade e metas de negócios devem se integrar a benefícios e desenvolvimento pessoal. “Outro ponto é que com as redes sociais o ambiente da comunicação ficou muito mais permeável”, conclui.
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